O que o realismo mágico “mostra”: o “indizível” em Wittgenstein visto a partir da linguagem empregada nos romances do realismo mágico latino-americano
Palavras-chave:
Realismo mágico, indizível, literatura, silêncio, América Latina, Ludwig WittgensteinResumo
Ludwig Wittgenstein, em sua obra Tractatus Logicus-Philosophicus, estipula o seguinte: “Há, certamente, o inexprimível, aquilo que se mostra a si mesmo (...).” (TLP, § 6.522). O presente texto procura, a partir dessa ideia, argumentar que aquilo a que Wittgenstein se refere quando fala do indizível, aquilo que só é capaz de se revelar perante o sujeito, se mostra com facilidade e eficácia através do gênero literário do realismo mágico, isso visto e estudado a partir de romances latino-americanos de realismo mágico, concretamente, A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, e Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. O realismo mágico tem a característica particular de moldar a realidade a seu bel-prazer e tornar cotidianas essas metamorfoses, pelo que consegue exaltar os mistérios da realidade vivida. Wittgenstein conclui seu Tractatus com a seguinte proposição: “sobre o que não se pode falar, é melhor calar” (Ibid. §7). Esse silêncio não é passivo, mas ativo em sua ação de mostrar e dedica seus esforços a encontrar diversas maneiras de se expressar, especialmente visto através do conflito armado colombiano. O realismo mágico não busca criar novas realidades, mas sim ancorar uma já existente e mostrar tudo de forma pictórica, sendo, portanto, uma ferramenta muito oportuna para retratar, ou mesmo refletir o mundo como uma imagem inteira e íntegra, sem se afastar dele ao pintá-lo.
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Referências
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